
No novo episódio da nova temporada do Sport Insider, o jornalista Rodrigo Capelo saiu do estúdio da N Sports e teve uma conversa franca com o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (o Bap) durante a curadoria esportiva do São Paulo Innovation Week, na Mercado Livre Arena Pacaembu na última quinta-feira (14). O episódio dessa semana fala sobre atuação da CBF na liga de clubes, a associação recente com o Grêmio, a ruptura do Palmeiras com o grupo e como o Rubro-Negro está atuando para gerar mais receitas e tentar conquistar a hegemonia dentro do cenário nacional. Em enriquecedora entrevista de uma hora, Capelo extrai uma frase de efeito atrás da outra do presidente BAP sobre os mais diversos assuntos.
Se você quer saber do que o Bap acha sobre a existência de uma liga de clubes: “Completamente, não tenho dúvidas que precisamos ter uma liga. Mas não basta querer, é preciso trabalhar pela liga e por uma causa em comum e não é o que vemos em todos os clubes. Ninguém vai dar nada de graça para outro, teremos que construir isso”.
Quer entender a opinião de Bap sobre a CBF atuar nessa liga: “No conceitual, não precisaria ter a CBF para ter uma liga. Mas sendo um brasileiro atuando no meio, não existe hipótese de uma liga acontecer sem que a CBF possa estar junto e possa mediar. A CBF poderia ser uma parceira e fornecedora de serviços para a liga. A CBF já é uma stakeholderfundamental nesse processo. A participação da CBF é absolutamente fundamental, vejo como uma necessidade imperiosa para que uma liga no Brasil aconteça”.
O que era a LIBRA: “Como ela foi conceituada, nada mais era do que uma maquiagem o movimento do Clube dos 13 em 1987. Era um grupo de clubes que queriam só negociar e aumentar sua fatia do bolo. Eu não vi nada na minha vida, nenhum negócio, cujo objetivo fosse dinheiro, que tivesse dado certo. Precisa ter uma ideia, um projeto, o dinheiro é consequência do trabalho. Quando a discussão começa pelo dinheiro, não é se vai dar m*, é quando vai dar m*, vai dar briga”.
O processo de acordo do dinheiro que o Flamengo vai receber na liga: “A Justiça falou que era só ler e cumprir o que estava no contrato. Abriu-se espaço para negociação e foi relativamente rápido o acordo. O Flamengo, no rigor do que estava escrito, receberia 250 milhões (de reais), mas não queríamos brigar, queríamos olhar para frente. Acabamos fazendo um acordo em um patamar mais baixo, com uma demonstração inequívoca de que o Flamengo quer fazer a liga acontecer. O São Paulo, o Grêmio, o Atlético-MG perderam dinheiro. Nós materializamos quanto cada um estava perdendo por ano. Como o Grêmio se sensibilizou e nos apoiou, entendíamos que era justo, se nosso pleito fosse vencedor, houvesse um repasse ao Grêmio. E assim foi feito”.
Tem assunto de problemas de distribuição de dinheiro de transmissões e como o Flamengo vai atuar perante emissoras. “Nesta nova fase da LIBRA, o Flamengo vai aportar conhecimento e competência no assunto para rediscutir absolutamente tudo do contrato com a Globo. Todos foram prejudicados e para o bolo crescer todos são amigos. A LIBRA negociou de forma ortodoxa, como há 25 anos, apenas e tudo para a Globo. Um conceito, um fornecedor. Mas a tecnologia está há dez anos escancarada na palma da mão de cada um de nós, mostrando que a fragmentação é inevitável”.
Mas isso é só o começo da conversa. Tem o Bap admitindo que a Liga Forte (FFU) negociou melhor os direitos do que a LIBRA, a ruptura do Palmeiras no acordo e o quanto o Flamengo não se importou com o fato: “O efeito prático é nenhum. São decisões que cada clube deve avaliar e tomar. Mas isso não influencia de que não haja uma liga no Brasil, nunca vai montar uma liga sem Flamengo ou Palmeiras. Tem muito mais jogo de cena do que qualquer outra coisa. O que acontece dentro de campo deveria ficar dentro de campo. Acho que fora de campo, os clubes deveriam ser amigos. Agora, alguém achar que vai fazer birra, que vai fazer biquinho, que vai reclamar, que vai espernear e que, por qualquer razão, eu vá tratar de maneira diferente, vou mudar o que penso ou que vou fazer por conta disso... boa sorte”.
E ainda teve mais meia hora para o presidente falar de projetos futuros do Flamengo, principalmente formas de aumentar suas receitas com diversificação de negócios, questões administrativas, demissão de Filipe Luiz, em qual aspecto o Mirassol e o Fluminense superam o Rubro-Negro em termos de gestão de investimento/resultado, questões jurídicas de diminuição de imposto para clubes associativos que atuam no esporte olímpico. É simplesmente o episódio com o maior número de temas abordados com o homem de frente do clube com o maior número de torcedores do país. Em uma temporada com tanta diversidade tratada no Sport Insider, esse é o episódio vital de se assistir.
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