
A TV 3.0 (DTV+) começa a sair do campo experimental e avança para suas primeiras aplicações em ambiente real no Brasil. A Copa do Mundo deve marcar a estreia da nova geração da TV aberta em transmissões de grande escala e acelerar a transição do modelo de recepção de sinal no país.
O desenvolvimento da TV 3.0 no Brasil começou há cerca de quatro anos, a partir das discussões sobre a evolução da TV digital e da nova estrutura de transmissão do sinal. Entre as mudanças previstas está a adoção da transmissão em dupla polarização, vertical e horizontal, diferente do modelo utilizado atualmente pela TV aberta.
Segundo Carlos Henrique de Oliveira, engenheiro de desenvolvimento da Proeletronic, a consolidação do padrão ATSC 3.0 e o avanço da regulamentação aceleraram o desenvolvimento da tecnologia no país, aproximando o projeto da operação prática.
“O desenvolvimento começou ainda na fase inicial dos estudos da TV 3.0 no Brasil, quando passamos a trabalhar em protótipos voltados à nova estrutura de transmissão do sinal. Com o avanço da regulamentação e a definição do padrão tecnológico, o projeto ganhou escala e acelerou o desenvolvimento das soluções de recepção para atender à implementação prevista para o período da Copa do Mundo”, explica.
O kit de recepção desenvolvido pela Proeletronic inclui set-top box e antena compatível com o novo padrão. Em cidades como São Paulo, a expectativa é de recepção indoor, com antena interna em grande parte dos casos, enquanto outras regiões podem demandar antenas externas para garantir estabilidade de sinal. As primeiras operações devem ocorrer em cidades-piloto como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
“O desenvolvimento do kit envolve justamente transformar o padrão tecnológico em uma solução de uso real. Em São Paulo, por exemplo, a expectativa é de recepção indoor em muitos casos, o que facilita a adoção em ambientes urbanos. Fora desse eixo, pode haver necessidade de antena externa, mas tudo dentro de uma lógica gradual de implementação”, complementa o engenheiro.
Neste primeiro momento, o acesso à TV 3.0 dependerá de um kit compatível com o novo padrão, composto por conversor e antena adequada para recepção do sinal. Em alguns casos, televisores mais novos poderão acessar parte das funcionalidades de forma integrada, enquanto outros aparelhos dependerão do uso do set-top box.
Além da evolução na qualidade de imagem e áudio, a TV 3.0 também amplia as possibilidades de interação. A tecnologia permitirá menus navegáveis, aplicativos de conteúdo e integração com recursos digitais, aproximando a experiência da TV aberta do ambiente conectado.
No mercado, a proximidade da Copa do Mundo já começa a movimentar a cadeia de radiodifusão, indústria e varejo. Segundo Gilberto Gandelman, CEO da Proeletronic, o evento deve marcar o início da adoção da TV 3.0 em escala mais ampla no Brasil.
“A Copa do Mundo tem potencial para ser a principal vitrine da TV 3.0 no Brasil porque reúne fatores muito importantes para essa transição: alta audiência, transmissão ao vivo em escala nacional e o forte apelo da TV aberta em eventos esportivos. É um cenário que favorece a demonstração prática da tecnologia em operação, principalmente pela experiência mais imersiva, pela qualidade superior de imagem e pela transmissão em tempo real”, afirma.
Segundo o executivo, o interesse por soluções preparadas para o novo padrão já começa a crescer, ainda que em uma fase inicial.
“Mesmo em uma fase inicial, já existe um aumento no interesse por soluções compatíveis com a TV 3.0, vindo principalmente do ecossistema de radiodifusão, da indústria e do varejo. A proximidade da Copa também acelera esse movimento, porque o mercado começa a se preparar para os primeiros cenários reais de operação da tecnologia”, completa.
A estimativa é de que os primeiros lotes de receptores cheguem ao mercado durante a janela da Copa, ainda em volumes limitados. O Brasil possui cerca de 73,8 milhões de residências com televisão, segundo dados do IBGE, cenário que reforça o potencial de adoção da nova tecnologia e a importância das soluções de transição para viabilizar sua expansão nos próximos anos.
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