Justiça espanhola condena rede de iptv pirata com multas de mais de € 40 milhões



Foto: Reprodução/Internet

A Câmara Criminal do Tribunal Nacional da Espanha, em Madri, condenou uma rede internacional de IPTV pirata por crimes de propriedade intelectual, fraude contra o mercado e lavagem de dinheiro. A sentença, proferida em 20 de abril, determinou o pagamento de € 12 milhões em indenizações às empresas afetadas e mais de € 30 milhões em multas, configurando uma das maiores decisões judiciais contra pirataria digital na Europa.

O processo teve início com denúncia da Nagravision e ganhou força após a participação da Laliga, entidade que organiza o futebol profissional espanhol. Posteriormente, empresas como Movistar Plus+, Mediapro e Egeda se juntaram como promotoras privadas. A investigação foi conduzida pela Unidade Central de Cibercrime da Polícia Nacional da Espanha, com apoio da Europol e da Eurojust, demonstrando a relevância internacional do caso e a gravidade da rede criminosa.

A organização, liderada por um criminoso conhecido como “Dash, o iranian”, distribuía transmissões ilegais de futebol ao vivo, filmes e séries para cerca de 2 milhões de usuários em servidores espalhados por 13 países. Plataformas como Iptvstack e Rapidiptv eram utilizadas para gerar receitas estimadas em € 17 milhões, consolidando um dos maiores esquemas de pirataria audiovisual já identificados na Europa.

Para lavar os recursos obtidos, o grupo utilizava faturas falsas, gateways de pagamento, corretoras de criptomoedas e empresas de fachada. Entre os bens confiscados estão um imóvel de € 1,7 milhão em Barcelona, veículos avaliados em € 400 mil e até a construção de um edifício no Irã. A decisão judicial determinou o fechamento dos domínios e o confisco de todos os bens apreendidos, após os réus aceitarem a acusação conjunta do Ministério Público e dos promotores privados.

O presidente da Laliga, Javier Tebas, destacou que a fraude audiovisual ameaça a sobrevivência da indústria esportiva e cultural europeia, reforçando que a pirataria deve ser combatida com firmeza em todos os níveis. Segundo Tebas, organizações criminosas e máfias digitais representam um risco direto para o futuro do esporte ao vivo e para a economia ligada ao entretenimento.

A Laliga, responsável por competições como a Laliga EA Sports, possui escritórios em 35 países e mais de 258 milhões de seguidores nas redes sociais. Na temporada 2024/25, a entidade registrou uma redução de 60% no consumo de pirataria na Espanha, resultado de ações judiciais, operações policiais e estratégias de combate digital. Esse avanço reforça o impacto positivo das medidas contra redes ilegais e o compromisso da liga em proteger seus direitos de transmissão.

As iniciativas da Laliga para combater a pirataria envolvem processos judiciais, cooperação com forças de segurança internacionais, uso de tecnologia avançada para rastrear transmissões ilegais, campanhas educativas para conscientizar consumidores e atuação institucional junto a governos e entidades reguladoras. Essa combinação de esforços tem se mostrado eficaz na redução da pirataria e na proteção da indústria audiovisual europeia.

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