Anatel toma decisão importante sobre canais abertos na Claro Box


Aparelho Claro tv+ Box e controle remoto em destaque, em imagem ilustrativa sobre decisão da Anatel envolvendo canais abertos.
Crédito:ChatGPT


A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu que a Claro Box, serviço de televisão via internet da Claro, não é obrigada a incluir todos os canais abertos em sua programação. O entendimento foi reafirmado após uma reclamação apresentada pela Rede Brasil de Televisão (RBTV), que solicitava sua inclusão na plataforma e melhorias na qualidade de transmissão. A decisão foi noticiada pelo site Além da Tela. 

O caso pode ter consequências importantes para o mercado brasileiro de televisão, especialmente diante do crescimento dos serviços que distribuem canais ao vivo pela internet. Na avaliação da agência, a oferta de streaming analisada não está submetida às mesmas obrigações de carregamento previstas para os serviços tradicionais de TV por assinatura.

A decisão também envolve a qualidade de imagem oferecida pelas operadoras. A Anatel entendeu que a distribuição obrigatória de determinados canais não significa que eles precisem ser disponibilizados em alta definição (HD), mesmo quando outras emissoras recebem esse tratamento.

Entenda a decisão da Anatel sobre a Claro Box

A discussão começou após a Rede Brasil de Televisão questionar a Claro sobre três situações: a ausência de seu sinal na Claro Box, problemas relatados na recepção do canal e a falta de uma versão em alta definição na distribuição tradicional da operadora.

A emissora solicitou uma medida para obrigar a Claro a disponibilizar seu conteúdo na plataforma de streaming e oferecer a transmissão em HD. Entretanto, os pedidos não foram acolhidos pela agência reguladora.

O processo de acompanhamento, identificado pelo número 53500.121482/2026-11, foi encerrado por meio do Despacho Ordinatório nº 435/2026/COGE/SCO, com base nas conclusões técnicas apresentadas no Informe nº 834/2026.

Um dos principais pontos analisados foi a diferença entre a TV por assinatura tradicional, regulamentada como Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), e a distribuição de conteúdo pela internet, enquadrada no caso da Claro Box como Serviço de Valor Adicionado (SVA).

Na prática, esse entendimento significa que a Claro não está obrigada, pelas regras de carregamento do SeAC, a disponibilizar todas as emissoras abertas na oferta de streaming analisada. A definição permite maior flexibilidade na composição dos canais oferecidos ao público, sem eliminar as obrigações existentes nos serviços tradicionais sujeitos à legislação específica.

Globo, SBT e Record podem sair da Claro Box?

A decisão não determina a retirada de nenhum canal atualmente disponível na Claro Box. Ela trata da obrigação legal de incluir emissoras na plataforma, e não de uma alteração imediata na programação oferecida aos assinantes.

Na página oficial de atendimento da Claro, a operadora continua informando a presença de emissoras abertas em seu produto Box Claro tv+, incluindo:

  • Globo HD;
  • SBT HD;
  • Record HD;
  • Band HD;
  • RedeTV! HD;
  • TV Cultura HD;
  • TV Brasil HD.

A relação consta nas informações oficiais da Claro sobre a Box. A disponibilidade de sinais e afiliadas pode variar conforme o produto, o contrato e a região atendida.

Isso significa que os assinantes não precisam interpretar a decisão como um anúncio de retirada de Globo, SBT, Record ou das demais redes. A inclusão e a permanência desses canais também podem depender de acordos comerciais entre a operadora e as empresas responsáveis pela distribuição dos sinais.

O assunto ganhou repercussão na coluna Canal D, do jornal O Dia, publicada em 21 de outubro. A avaliação apresentada é de que o entendimento da Anatel poderá influenciar futuras negociações entre a Claro e emissoras como Record, SBT e RedeTV!, que participam da Simba Content.

Entretanto, não foi anunciada nenhuma mudança específica nos contratos dessas emissoras em consequência do encerramento do processo envolvendo a Rede Brasil.

Operadoras são obrigadas a transmitir canais abertos em HD?

Outro ponto relevante da decisão envolve a qualidade de imagem. A Anatel considerou que a obrigação de distribuição de canais na TV por assinatura tradicional não estabelece, por si só, um padrão obrigatório de resolução.

Dessa maneira, uma emissora que possui direito ao carregamento obrigatório não ganha automaticamente o direito de exigir sua transmissão em HD ou 4K. O regulamento não determina que todos os canais dessa categoria sejam distribuídos com a mesma resolução.

No processo, a Rede Brasil também relatou falhas de sinal. Entretanto, a área técnica da agência considerou que não foram apresentados elementos suficientes para demonstrar que os problemas eram de responsabilidade da Claro.

Para a Anatel, seria necessário reunir informações mais detalhadas, como datas, horários, localidades afetadas e registros técnicos das interrupções. A existência de novos elementos poderá permitir uma nova avaliação da situação.

O desfecho contrasta com uma decisão de 2023, quando a agência determinou a inclusão da Rede Brasil na programação tradicional da Claro. Agora, a discussão envolve a qualidade de transmissão desse sinal e sua presença na distribuição por streaming.

Para o consumidor, o principal esclarecimento é que a decisão não representa o fim dos canais abertos na Claro Box. O caso evidencia uma diferença regulatória entre as modalidades de distribuição de televisão, que pode ganhar importância à medida que mais pessoas passam a assistir a canais ao vivo pela internet.


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