
A Sky e a Giga+ estão envolvidas em conversas sobre uma possível fusão de negócios no Brasil, em uma movimentação que poderá alterar o cenário da internet banda larga e dos serviços de telecomunicações. A Giga+, antiga Alloha Fibra, confirmou os contatos em comunicado ao mercado divulgado na sexta-feira (23 de outubro). Conforme noticiaram o Teletime e o TeleSíntese, entretanto, ainda não existe acordo fechado entre as empresas.
A informação foi apresentada em resposta a um pedido de esclarecimentos da B3, a bolsa de valores brasileira, após a divulgação de notícias sobre negociações envolvendo a Waiken ILW, controladora da Sky, e a gestora EB Capital, ligada à Giga+.
Se a operação avançar, a combinação das bases de banda larga da Giga+ e do grupo responsável pela Sky e pela Zaaz poderá resultar em uma das maiores prestadoras de internet fixa do país, com aproximadamente 1,91 milhão de acessos em 1.110 municípios brasileiros.
Giga+ confirma conversas com a Sky, mas ainda não há acordo
No documento encaminhado ao mercado, a Giga+ reconheceu que manteve conversas com a Sky nos últimos meses, assim como com outros participantes do setor de telecomunicações. A empresa ressaltou, porém, que nenhuma decisão administrativa foi tomada e que não houve assinatura de contrato ou compromisso vinculante relacionado à possível operação.
A companhia explicou que avalia regularmente alternativas estratégicas e oportunidades de negócio para fortalecer suas atividades e otimizar investimentos.
A eventual combinação envolveria empresas com atuação em segmentos complementares. A Sky é conhecida principalmente pelos serviços de TV por assinatura e pela plataforma de TV ao vivo e streaming Sky+, mas também oferece internet por fibra óptica e telefonia móvel.
Já a Giga+, que unificou suas marcas institucional e comercial em outubro de 2026, concentra suas operações principalmente em serviços de internet por fibra óptica. A empresa reúne operações que anteriormente utilizavam marcas regionais, como Sumicity, Ligue e Mob.
Fusão poderia criar a quarta maior operadora de internet fixa do Brasil
Uma análise do Radar da Telecom, baseada em dados de agosto de 2026 informados à Anatel, mostra o potencial da operação.
Naquele período, a Giga+ reunia aproximadamente 1,29 milhão de acessos de banda larga fixa, enquanto o grupo Waiken, controlador da Sky e da Zaaz, somava cerca de 627 mil acessos.
A soma alcançaria aproximadamente 1,91 milhão de acessos, colocando o grupo hipotético na quarta posição nacional, atrás apenas de Claro, Vivo e Nio, operadora que assumiu os serviços de fibra anteriormente oferecidos pela Oi.
Com esse resultado, o novo grupo ultrapassaria a Brisanet, que registrava aproximadamente 1,59 milhão de acessos no mesmo levantamento. Os números são estimativas baseadas nas operações existentes e não representam uma projeção oficial das empresas para a fusão.
Outro aspecto importante é a presença regional. As redes das companhias se sobrepõem em apenas 123 municípios, o que significa que uma eventual combinação poderia ampliar a cobertura comercial sem depender exclusivamente da entrada em novas cidades.
Juntas, as operações estariam presentes em 1.110 municípios e ocupariam a liderança do mercado de banda larga fixa em 173 cidades.
No Ceará, estado com forte presença dos serviços de internet das duas empresas, os dados de agosto apontam aproximadamente 219 mil acessos da Giga+ e 50 mil da Waiken, totalizando cerca de 268 mil conexões. Fortaleza também aparece entre os municípios com operações dos dois grupos.
O que pode mudar para clientes da Sky e da Giga+?
Para os consumidores, a principal dúvida é se uma eventual fusão poderia provocar mudanças nos planos de internet, nos pacotes de TV por assinatura e nos serviços de streaming comercializados pelas empresas. Até o momento, nenhuma alteração foi anunciada em decorrência das negociações. Caso um acordo seja efetivamente fechado, as companhias poderão avaliar estratégias de integração, expansão da cobertura de fibra óptica e oferta conjunta de serviços. Essas possibilidades, entretanto, dependem de decisões futuras e não devem ser interpretadas como medidas já confirmadas.
Uma eventual operação poderá ainda depender de análises regulatórias e concorrenciais, conforme sua estrutura e características. Por enquanto, trata-se de uma possibilidade de negócio.
O avanço das conversas acontece em um momento de transformação do mercado de telecomunicações, com operadoras buscando ampliar a presença em fibra óptica e oferecer diferentes serviços de conectividade e entretenimento.
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