Cade analisa contratos da FFU e relação com a CazéTV


Foto: Reprodução

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu aprofundar a análise dos contratos da Futebol Forte União (FFU), incluindo possíveis relações comerciais entre a estrutura do bloco e a LiveMode, empresa controladora da CazéTV. A medida busca esclarecer os efeitos desses acordos sobre a concorrência no mercado de direitos de transmissão do futebol brasileiro. A informação foi publicada nesta sexta-feira (16) pelo jornalista Igor Siqueira, do UOL.

Uma nota técnica emitida na quinta-feira (15) classificou a operação como complexa, indicando a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. O procedimento envolve a FFU, a investidora Sports Media Entertainment (SME) e aspectos da comercialização coletiva dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Cade quer esclarecer relação entre FFU e CazéTV

Entre os pontos analisados está a possibilidade de relações verticais entre o Condomínio Forte União (CFU) e a LiveMode. A empresa atua na negociação de direitos esportivos e controla a CazéTV, que adquiriu um dos pacotes de transmissão comercializados pelo bloco para o ciclo de 2025 a 2029.

O órgão também pretende avaliar os efeitos dos contratos de investimento de longo prazo, incluindo acordos com duração de 50 anos, além das condições de entrada e saída dos clubes e da concorrência com outros modelos de negociação coletiva, como a Libra.

Outro aspecto envolve as reclamações de dirigentes sobre o funcionamento do condomínio e a participação da investidora nas decisões comerciais. O Cade busca compreender se essas questões podem produzir efeitos relevantes sobre a concorrência.

Investidora defende contratos e resultados financeiros

A Sports Media Entertainment avalia positivamente o aprofundamento da análise. A companhia sustenta que o modelo trouxe benefícios financeiros aos clubes e ampliou as possibilidades de distribuição das partidas por diferentes emissoras e plataformas.

Como argumento, a empresa apresentou um estudo da LCA Consultores indicando crescimento de 47% na receita média com direitos de transmissão dos clubes da Série A integrantes do CFU entre 2024 e 2025. Segundo o levantamento apresentado pela investidora, também houve expansão das exibições em plataformas gratuitas.

A SME defende ainda que o prazo de 50 anos está relacionado à natureza dos investimentos realizados e aos pagamentos antecipados pela aquisição de participações nos direitos comerciais dos clubes.

O prazo estabelecido para a apresentação de esclarecimentos é de dez dias, com possibilidade de ampliação. A análise segue em andamento e não representa, por si só, uma conclusão de que a FFU, a investidora ou a LiveMode tenham cometido irregularidades.

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