A Globo promove uma ampla reformulação em sua alta direção, com a saída de três executivos de áreas estratégicas: Manuel Belmar, Manuel Falcão e Pedro Garcia. As mudanças atingem setores ligados a finanças, produtos digitais, comunicação, marca e aquisição de direitos. Nos bastidores, decisões envolvendo os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 aparecem entre os fatores de desgaste de parte da cúpula. As novas informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo e pelo Meio & Mensagem.
Manuel Belmar ocupava uma das posições de maior peso dentro do grupo e acumulava responsabilidades nas áreas de finanças, jurídico, infraestrutura e produtos digitais. O executivo estava na Globo desde 2003 e construiu uma trajetória de mais de duas décadas na empresa.
Além dele, as mudanças alcançam Manuel Falcão, ligado à área de marca e comunicação institucional, e Pedro Garcia, executivo responsável por aquisições e direitos, setor diretamente envolvido nas negociações de grandes propriedades esportivas.
Copa do Mundo entra no centro das mudanças
A estratégia adotada pela Globo para a Copa do Mundo de 2026 ganhou peso nas avaliações internas porque o Mundial apresentou ao público brasileiro uma configuração de transmissão muito diferente daquela vista durante décadas.
A Globo não adquiriu a totalidade das 104 partidas da competição. Com isso, a CazéTV ganhou espaço ao contar com os direitos para transmitir todos os jogos pelo YouTube, enquanto o SBT retornou à Copa após 28 anos, exibindo 32 confrontos em parceria com a N Sports, incluindo partidas da Seleção Brasileira.
Nesse contexto, as saídas de Belmar e Pedro Garcia chamam atenção pela ligação de ambos com decisões estratégicas e negociações de direitos. Segundo informações publicadas pela imprensa, a condução do Mundial esteve entre os assuntos avaliados internamente pela companhia.
Isso não significa, porém, que a Globo tenha anunciado oficialmente a Copa como motivo para os desligamentos. A relação entre as decisões sobre o torneio e o desgaste dos executivos é atribuída pelas reportagens a avaliações e relatos de bastidores.
Saída de Pedro Garcia chama atenção no mercado esportivo
Entre as novas mudanças, a saída de Pedro Garcia ganha relevância especial para o mercado de mídia esportiva. O executivo atuava diretamente na área de aquisição de direitos, responsável por negociações envolvendo competições e eventos exibidos pelas plataformas do grupo.
A movimentação acontece em um momento no qual os direitos esportivos estão cada vez mais fragmentados no Brasil. Emissoras tradicionais passaram a disputar competições com serviços de streaming, plataformas digitais e transmissões gratuitas pelo YouTube, aumentando a concorrência por propriedades capazes de reunir grandes audiências.
Reformulação vai além dos direitos esportivos
A presença de Manuel Falcão entre os executivos que deixam a companhia mostra que a reformulação não está restrita ao esporte. Sua atuação estava concentrada em marca e comunicação institucional, outra área considerada estratégica para o posicionamento da Globo.
Com as três mudanças, a empresa mexe simultaneamente em setores importantes de sua estrutura corporativa. A movimentação ocorre enquanto o grupo enfrenta uma transformação acelerada do mercado de mídia, com a televisão aberta convivendo cada vez mais com streaming, redes sociais e novas plataformas de distribuição de conteúdo.
A saída de Belmar havia sido revelada inicialmente pela Veja. Com as informações posteriores sobre Falcão e Garcia, o movimento passou a representar uma reformulação mais ampla na direção da Globo.
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