
A decisão de acabar com as bets no Brasil provocou uma forte reação no futebol brasileiro. Clubes questionam os efeitos da Medida Provisória assinada na sexta-feira (25), que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. As equipes alertam principalmente para contratos de patrocínio já assinados, perda de receitas e impactos em outras áreas do esporte.
A medida alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online e já começou a produzir efeitos. Desde a publicação da MP, as plataformas não podem receber novos aportes dos apostadores, enquanto um cronograma prevê o encerramento completo das operações nas próximas semanas.
Flamengo e Fluminense criticam mudança abrupta
O Flamengo foi um dos clubes que se posicionaram publicamente contra a mudança. Em nota, o Rubro-Negro argumentou que empresas pagaram para operar legalmente no Brasil, realizaram investimentos e firmaram contratos a partir de regras estabelecidas pelo próprio Estado.
O clube defende o aperfeiçoamento da regulamentação, da fiscalização e das medidas de proteção ao consumidor, mas contesta uma interrupção repentina do mercado. Entre as preocupações apresentadas estão a segurança jurídica, os empregos ligados à cadeia esportiva e as receitas utilizadas pelo futebol profissional, categorias de base, futebol feminino e modalidades olímpicas.
O Fluminense também reconheceu como legítimo o debate sobre os problemas relacionados às apostas, incluindo vício e endividamento, mas pediu que eventuais mudanças contem com um período de transição.
O clube citou inclusive um efeito prático: suas lojas possuem meses de estoque de camisas com a marca do atual patrocinador máster. Para o Tricolor, uma retirada imediata dos patrocinadores pode gerar prejuízos não apenas aos clubes, mas também a fornecedores e trabalhadores envolvidos nessa cadeia.
Bets movimentam mais de R$ 1 bilhão em patrocínios
O tamanho da preocupação dos clubes pode ser explicado pela presença das casas de apostas no financiamento do futebol brasileiro. Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A possuem empresas do setor como patrocinadoras máster.
Em 2025, as bets destinaram aproximadamente R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value. O dinheiro representou uma parcela significativa das receitas comerciais dessas equipes.
Antes mesmo da assinatura da MP, clubes de Rio de Janeiro e São Paulo já haviam divulgado um manifesto conjunto defendendo a manutenção de um mercado de apostas regulamentado. Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos estiveram entre os participantes da mobilização.
Os clubes afirmam que problemas sociais provocados pelas apostas precisam ser enfrentados com fiscalização, educação, prevenção e combate ao mercado clandestino. O Governo Federal, por outro lado, sustenta que a proibição faz parte de uma resposta aos impactos das apostas sobre a saúde pública e o endividamento das famílias.
Quando as bets deixam de funcionar?
Pelo cronograma divulgado pelo Governo Federal, os apostadores podem solicitar voluntariamente a retirada dos valores disponíveis nas plataformas até 5 de outubro, às 23h59. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos das empresas deverão sair do ar.
As marcas também precisam retirar até 5 de outubro materiais publicitários e de patrocínio. A medida tem efeito direto sobre uniformes, placas, campanhas e outras ações comerciais ligadas aos clubes brasileiros.
Apesar de já estar em vigor, a Medida Provisória ainda precisa passar pelo Congresso Nacional. O Legislativo terá até 120 dias para analisar o texto, que pode ser aprovado, alterado ou perder validade caso não seja votado dentro do prazo.
Enquanto isso, a discussão com o futebol deve continuar. O governo pretende realizar na terça-feira (29) uma reunião com representantes de clubes das Séries A e B para discutir os impactos financeiros provocados pela saída das casas de apostas e possíveis alternativas para o setor.
WhatsApp: acompanhe as principais notícias sobre televisão, streaming e esporte pelo nosso canal. Entre no canal do Antenados na TV e Streaming.
Facebook: acompanhe também o Antenados na TV e Streaming no Facebook.
Postar um comentário
Deixe seu comentário