Vivo testa Starlink no Brasil e conexão via satélite no celular fica mais perto


Celular conectado a satélites sobre o Brasil em arte sobre a tecnologia Starlink no celular
Crédito: Arte/ChatGPT

A possibilidade de clientes da Vivo utilizarem conexão da Starlink diretamente pelo celular ganhou força no Brasil. A Telefônica Brasil, dona da operadora, está autorizada a realizar testes de comunicação direta entre smartphones e satélites, enquanto negociações com a SpaceX avançam nos bastidores. Nos últimos dias, usuários também passaram a relatar a identificação “Vivo Starlink” em aparelhos móveis.

Apesar da repercussão, Vivo e SpaceX ainda não anunciaram oficialmente um contrato comercial para o serviço no país. Em julho, quando a negociação foi revelada pelo Tele.Síntese, as duas empresas foram procuradas e não comentaram as tratativas. A própria página oficial do Starlink Direct to Cell ainda não inclui a Vivo entre as operadoras parceiras internacionais.

Anatel autorizou testes da Vivo em todo o Brasil


A Telefônica Brasil recebeu autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para realizar testes da tecnologia Direct-to-Device, ou D2D, entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026. A autorização contempla até 50 terminais móveis e permite experimentos em território nacional.

A tecnologia permite que um celular se comunique diretamente com um satélite quando não existe cobertura de uma antena terrestre próxima. A Anatel já trabalha há alguns anos com testes desse tipo dentro de um ambiente regulatório experimental e considera o D2D uma alternativa especialmente relevante para regiões rurais, remotas e locais ainda sem cobertura adequada das redes convencionais.

A aproximação entre Vivo e Starlink ganhou ainda mais atenção depois que relatos publicados nas redes sociais mostraram celulares identificando uma rede chamada “Vivo Starlink”. O site PontoBYTE informou ter realizado testes próprios e encontrado sinais compatíveis com uma operação experimental. Esses registros reforçam os indícios de que os testes já estão efetivamente acontecendo, mas não significam que o serviço esteja liberado comercialmente para os clientes.


Como funcionaria a Starlink diretamente no celular


A solução da SpaceX é conhecida comercialmente como Starlink Direct to Cell. Os satélites funcionam de maneira semelhante a torres de telefonia instaladas no espaço e podem se comunicar com celulares LTE convencionais. Segundo a Starlink, a tecnologia foi projetada para funcionar sem antena externa, aplicativo especial ou modificações específicas de hardware nos aparelhos compatíveis.

Na prática, a tecnologia pode preencher áreas onde o sinal terrestre da operadora desaparece. Em vez de o usuário ficar completamente sem conexão, o celular poderia buscar cobertura fornecida pelos satélites.

A primeira geração da rede Direct to Cell já possui mais de 650 satélites em órbita baixa, de acordo com a SpaceX. A companhia afirma que a tecnologia já conectou milhões de pessoas pelo menos uma vez em mercados onde existem acordos com operadoras locais.

O modelo é justamente complementar às redes tradicionais. Em regiões urbanas, com grande capacidade de 4G e 5G, as antenas terrestres continuam sendo a principal infraestrutura. O satélite ganha importância sobretudo onde construir torres ou levar fibra é mais difícil ou economicamente inviável.


Ainda não há preço nem data de lançamento


Apesar do avanço dos testes, não existe até agora uma data oficial para o lançamento da Starlink no celular para clientes da Vivo, nem detalhes sobre quais planos terão acesso ou quanto o serviço poderá custar.

Também não está confirmado quais modelos de smartphone serão inicialmente suportados no Brasil ou quais funcionalidades estarão disponíveis na estreia. Em outros mercados, o Direct to Cell começou com recursos mais simples e vem evoluindo para ampliar a transmissão de dados.

A movimentação, porém, coloca a Vivo em posição importante na corrida pela conectividade móvel via satélite no país. Claro e TIM também já participaram de experiências com tecnologias D2D de outras empresas, mostrando que a disputa para acabar com as chamadas áreas sem sinal deverá ganhar cada vez mais espaço no mercado brasileiro.

Se as negociações entre Vivo e SpaceX forem concluídas, a Starlink poderá deixar de ser conhecida no Brasil apenas pela tradicional antena de internet via satélite e passar a fazer parte também da rotina de usuários de celular — especialmente em estradas, áreas rurais e regiões distantes das redes convencionais.

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