
O mercado de TV por assinatura no Brasil continua encolhendo. Dados consolidados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que o setor perdeu aproximadamente 1,18 milhão de assinantes em um ano, aprofundando uma retração que já se estende por vários anos.
Na contagem que considera somente os acessos pagos, o país encerrou junho de 2026 com 5.973.685 contratos ativos, contra 7.127.509 registrados no mesmo mês de 2025. A diferença representa uma perda exata de 1.153.824 acessos, equivalente a uma queda de 16,2% em 12 meses, segundo levantamento da Teleco elaborado com dados da Anatel.
Somente entre maio e junho de 2026, a TV paga perdeu mais 106.171 clientes, recuo mensal de 1,7%. Desde o começo do ano, foram encerrados 569.408 contratos. Em dezembro de 2025, a modalidade ainda contava com aproximadamente 6,54 milhões de acessos pagos.
A diferença entre os números divulgados sobre o tamanho do mercado ocorre por causa da metodologia utilizada. A contagem mais ampla da Anatel pode incluir aparelhos que recebem somente canais abertos e obrigatórios, mesmo sem uma assinatura mensal de canais fechados. No fechamento de 2025, aproximadamente 1,1 milhão de pontos estavam nessa condição, conforme explicou o Poder360 ao analisar os dados oficiais.
Entre as operadoras, a Claro permanece na liderança da TV por assinatura, com aproximadamente 2,77 milhões de acessos pagos no segundo trimestre de 2026. A Sky aparece na segunda colocação, com 1,95 milhão, seguida pela Vivo, com cerca de 720 mil contratos. A Mileto, que assumiu a operação anteriormente pertencente à Oi TV, conta com aproximadamente 264 mil acessos. Os números estão disponíveis no levantamento de participação de mercado da Teleco.
A retração atingiu todas as principais tecnologias utilizadas pelo setor. A TV a cabo encerrou junho com cerca de 2,64 milhões de acessos, o equivalente a 44,2% do mercado. A transmissão via satélite, conhecida como DTH, ficou com 2,38 milhões e participação de 39,8%. Já a fibra óptica reuniu aproximadamente 952 mil contratos, representando 15,9% da base.
Apesar de continuar perdendo clientes, a fibra apresentou uma redução proporcional menor do que o cabo e o satélite. Entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, os acessos por fibra caíram aproximadamente 9,5%. No satélite e no cabo, o recuo ficou próximo de 17%.
A queda da TV por assinatura tradicional acontece ao mesmo tempo em que as próprias operadoras ampliam ofertas de canais pela internet, aplicativos e aparelhos conectados. Esses serviços exclusivamente digitais não aparecem necessariamente nas estatísticas do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), categoria utilizada pela Anatel para acompanhar a televisão paga convencional.
Os números mostram uma mudança estrutural no consumo de conteúdo audiovisual. Pacotes tradicionais distribuídos por cabo, fibra ou antena continuam perdendo espaço, enquanto o público encontra alternativas em plataformas de streaming e serviços de televisão transmitidos pela internet.
A TV por assinatura fechou 2021 com 13,46 milhões de acessos pagos. Em 2025, esse total já havia caído para 6,54 milhões. Com menos de 6 milhões de contratos em junho de 2026, o setor perdeu mais da metade de sua base em menos de cinco anos e segue diante do desafio de adaptar seus produtos aos novos hábitos do público.
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