SBT compra briga com streamings; Globo e Band apoiam botão exclusivo para TV aberta



Pessoa segura um controle remoto diante de uma televisão
Crédito: Foto: Erik Mclean/Unsplash

A disputa pela atenção do telespectador chegou ao controle remoto. SBT, Globo e Band estão articulando em Brasília uma proposta para obrigar fabricantes de televisores a incluir um botão de acesso direto aos canais de TV aberta. A medida funcionaria como um atalho semelhante aos comandos dedicados à Netflix, ao YouTube, ao Prime Video e a outras plataformas de streaming.

A iniciativa partiu do SBT e recebeu o apoio de Globo, Band e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). O Ministério das Comunicações confirmou que o assunto está em discussão. As informações foram divulgadas inicialmente pela coluna Outro Canal, do portal F5.

A expectativa das emissoras é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publique um decreto sobre o assunto ainda em 2026. Entretanto, a medida ainda não foi confirmada pelo Palácio do Planalto e não existe uma definição sobre o formato, a localização ou o funcionamento do eventual botão.

SBT inicia movimento e recebe apoio de Globo e Band


O SBT teria sido o primeiro a defender a criação do atalho para a televisão aberta. Posteriormente, Globo e Band aderiram ao movimento, fortalecendo a pressão das emissoras sobre o governo e os fabricantes de televisores.

As redes argumentam que os controles das smart TVs oferecem posições privilegiadas para serviços digitais, enquanto o acesso aos canais abertos pode exigir que o usuário navegue por diferentes menus, altere a fonte de entrada ou procure a opção de sintonia do aparelho.

Segundo a apuração, pesquisas realizadas pelas próprias emissoras identificaram reclamações principalmente entre telespectadores mais velhos e integrantes da classe C, que enfrentariam dificuldades para encontrar a programação aberta nos aparelhos conectados.

O botão permitiria que o público retornasse aos canais gratuitos com apenas um toque, sem precisar abrir aplicativos ou percorrer a interface da smart TV. A proposta, porém, ainda precisa ser discutida com os fabricantes e transformada em uma regra oficial.

TV aberta tenta recuperar espaço ocupado pelos streamings


A movimentação ocorre em meio à mudança dos hábitos de consumo de vídeo. As smart TVs deixaram de funcionar apenas como receptores de canais e se transformaram em grandes centrais de aplicativos, reunindo plataformas pagas, serviços gratuitos e conteúdos sob demanda.

Para Globo, SBT e Band, a dificuldade de acesso aos canais tradicionais pode provocar perda de audiência e diminuir a visibilidade da televisão aberta. Já os botões dedicados aos streamings reduzem o caminho entre o usuário e serviços como Netflix, YouTube, Disney+ e Prime Video.

A criação de um comando exclusivo também envolve interesses comerciais. Quanto mais fácil for encontrar uma emissora, maiores são as possibilidades de preservar audiência, receita publicitária e relevância em um mercado cada vez mais fragmentado.

Por outro lado, a televisão aberta continua disponível gratuitamente por meio de antena, sem exigir assinatura mensal, cadastro ou conexão permanente com a internet. Esse alcance é um dos argumentos utilizados pelas emissoras para defender uma posição de destaque nos controles e nas telas iniciais dos televisores.

Decreto da TV 3.0 já prevê botão semelhante


O governo federal publicou em agosto de 2025 o Decreto nº 12.595, que regulamentou a implantação da TV 3.0 no Brasil. A norma determina que os receptores compatíveis com a nova tecnologia tenham um botão destacado no controle remoto para acessar o Catálogo de Aplicativos da TV 3.0.

O decreto também estabelece que o catálogo da televisão aberta apareça permanentemente em posição de destaque na tela inicial dos aparelhos. Outro comando deverá facilitar a troca entre os aplicativos das emissoras, oferecendo uma experiência semelhante à mudança tradicional de canais.

A nova articulação pretende antecipar essa facilidade e ampliar o recurso para televisores que não dependam exclusivamente da implantação da TV 3.0. No entanto, ainda não está definido quais modelos seriam afetados, quando a obrigação começaria ou se aparelhos já vendidos poderiam receber alguma atualização.

Até que um novo decreto seja publicado, nada muda nos controles atuais. A proposta segue em discussão e representa mais um capítulo da disputa entre a televisão aberta e as plataformas de streaming pela atenção do público brasileiro.

Receba as principais notícias sobre televisão e streaming no WhatsApp. Acompanhe o canal do Antenados na TV e Streaming:

Post a Comment

Deixe seu comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem