
A Fifa avalia mudar novamente o modelo de comercialização dos direitos de transmissão da Copa do Mundo no Brasil. Para o Mundial de 2030, a entidade estuda permitir que Globo e CazéTV exibam todos os jogos da competição, sem exclusividade absoluta para nenhuma das empresas. A informação foi publicada pelo jornalista Gabriel Vaquer, na coluna Outro Canal, do portal F5, da Folha de S.Paulo.
O formato analisado seria semelhante ao adotado para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que acontecerá no Brasil. Nesse modelo, a Globo possui direitos para televisão aberta, canais por assinatura e plataformas digitais, enquanto a CazéTV mantém uma operação voltada ao YouTube e a acordos de distribuição com serviços de streaming, como Amazon e Disney+.
Caso a estratégia seja confirmada para a Copa do Mundo de 2030, Globo e CazéTV poderiam transmitir todas as partidas, mas explorando o torneio de maneiras diferentes. A emissora carioca concentraria sua cobertura na TV aberta, no SporTV, no Globoplay e em seus canais digitais, enquanto o projeto comandado pela LiveMode poderia manter sua forte presença no YouTube e em outras plataformas de streaming.
A possível divisão representa uma mudança em relação à Copa do Mundo de 2026. No atual Mundial, a CazéTV é a única detentora com autorização para mostrar gratuitamente os 104 jogos no Brasil, enquanto a Globo adquiriu um pacote menor de partidas para seus canais. A competição confirmou a força das duas operações: a televisão aberta continuou alcançando uma parcela ampla do público, enquanto o canal de Casimiro Miguel registrou números expressivos entre os espectadores que acompanham futebol pela internet.
Segundo a apuração do F5, a Fifa considera que um acordo sem exclusividade poderia atender aos interesses de todas as partes. A entidade reconhece a importância da Globo para ampliar o alcance popular da Copa do Mundo no Brasil, especialmente entre pessoas que ainda acompanham os jogos principalmente pela televisão aberta. Ao mesmo tempo, não pretende enfraquecer a parceria construída com a LiveMode e a CazéTV.
Um relatório da entidade teria destacado justamente a contribuição da CazéTV para rejuvenescer o público do Mundial. Com uma linguagem mais informal, interação constante e forte presença nas redes sociais, o canal conseguiu aproximar a competição de espectadores mais jovens e acostumados a consumir conteúdo pelo celular, YouTube e serviços digitais. A própria Fifa já declarou que a experiência brasileira reforçou a importância da flexibilidade e da inovação na montagem dos pacotes de direitos de transmissão.
Antes do início da Copa de 2026, representantes da Fifa teriam informado às empresas parceiras que o desempenho durante o torneio seria importante para as negociações do próximo ciclo. Além dos valores oferecidos pelos direitos, seriam analisados fatores como audiência, alcance digital, repercussão, espaço dedicado ao Mundial na programação e capacidade de entregar conteúdo em diferentes plataformas.
A Globo tratou a cobertura de 2026 como uma oportunidade para recuperar espaço e enviou inicialmente cerca de 130 profissionais aos países-sede, formando a maior delegação entre as emissoras brasileiras. A empresa já confirmou publicamente que considera prioridade voltar a transmitir todos os jogos da Copa do Mundo em 2030, mesmo que o contrato não garanta exclusividade.
Apesar da movimentação nos bastidores, os direitos da Copa do Mundo de 2030 ainda não foram oficialmente vendidos no Brasil. A Fifa deverá analisar propostas, modelos comerciais e os resultados obtidos pelos atuais parceiros antes de tomar uma decisão definitiva. A entidade já afirmou que ninguém foi excluído das futuras negociações e que avalia cada mercado de acordo com suas características.
O Mundial de 2030 será disputado principalmente em Espanha, Portugal e Marrocos. Como parte das comemorações pelo centenário da competição, Argentina, Paraguai e Uruguai também receberão uma partida cada.
Para o torcedor brasileiro, a possível divisão entre Globo e CazéTV poderia aumentar as opções gratuitas para acompanhar a Copa do Mundo de 2030. O público teria a possibilidade de escolher entre o formato tradicional da televisão e uma cobertura mais descontraída e interativa na internet. Por enquanto, porém, o cenário continua em avaliação, sem contratos assinados ou definição oficial sobre quais empresas transmitirão o próximo Mundial.
Postar um comentário
Deixe seu comentário